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Os amantes brasileiros de literatura de terror têm muito a comemorar nos próximos dias, principalmente aqueles que forem fãs do estadunidense H.P. Lovecraft. Isso se deve a concretização de um audacioso projeto de publicação da mais completa coletânea de contos do mestre do terror cósmico. 
Contos Reunidos do Mestre do Terror Cósmico é um compêndio com mais de 640 páginas de contos, além de ensaios biográfico e temático, bestiário lovecraftiano, filmografia e muito mais. Reunindo pela primeira vez em língua portuguesa todos os contos do mestre do horror cósmico, com exceção das novelas, das colaborações e da produção do autor como ghostwriter. Essa verdadeira obra de arte foi organizada por Bruno Costa, idealizador e editor da Série Lovecraft da editora Hedra e traduzida por Francisco Innocêncio. Além de contar com as participações de S.T. Joshi, como supervisor editorial, atualmente um dos maiores especialistas na vida e na produção de Lovecraft, e Bruno Gambarotto, tradutor do livro  A vida de Lovecraft.
 

Esse é o livro que todo fã de Lovecraft e da literatura de horror precisa ter em sua coleção, está nos últimos dias de financiamento coletivo pelo cartase. Então, apoie esse projeto antes de o Grande Cthulhu faça você se arrepender.

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Quando menos espero, me pego pensando no dia em que tudo começou, e quando isso acontece, por mais que me esforce, não consigo me lembrar dos detalhes. Muito se perdeu, eu sei. Aconteceu muito mais do que lembro. Talvez seja minha mente querendo me proteger com uma espécie de campo de força à prova de insanidade. Mas sabe, não importa! A primeira lembrança que vem à minha mente ao pensar nisso é o rosto assustado de Amanda, minha filhinha de dez anos, que na época só tinha cinco, ao entrar em casa gritando:

– Papai, papai, o monstro mordeu o Tio Bob!

Amanda sempre teve uma imaginação privilegiada, fértil demais até mesmo para uma criança na sua idade. Tio Bob era o seu ursinho favorito, um brinquedo que possuía desde os dois anos, o último presentinho da megera da minha sogra – que o diabo a tenha –, e, ironicamente, achava que Amanda gostava mais daquele maldito urso que do próprio pai.
Só faltava uns trinta minutos para a final do Super Bowl, e eu não perderia por nada desse mundo. Tinha de ver os caras de New England esmagarem de uma vez por todas aqueles filhos da mãe de New York. Mas sabia que se não fosse procurar o tal monstro, o qual supostamente devorara o querido Tio Bob, veria o jogo soterrado pelos choros e queixas de Amanda.

Tentei de tudo para acalmá-la, ofereci até mesmo os doces de meu estoque particular de guloseimas, e falhei horrivelmente. Também não adiantou prometer-lhe comprar um urso novo, maior e mais bonito; nada adiantava, ela só se importava com o Tio Bob.
– Ok, meu amor, o papai vai lá matar o monstro e trazer o Tio Bob de volta, tá? – acho que foi isso o que disse.

Muito preguiçoso, me levantei do sofá segurando um saquinho de chips e fui com ela até o quintal. Estávamos sofrendo a maior onda de calor da década. Um calor maldito, que parecia vir diretamente do inferno. O céu se mostrava cinzento, repleto de nimbos, como se anunciasse uma chuva que nunca vinha. Saímos pela porta dos fundos, segurava sua mãozinha delicada, caminhamos pelo jardim cheio de folhas secas amareladas à procura do monstro e do Tio Bob.


– Querida, pra onde foi o Tio Bob?

Ela, ainda espantada, me levou até o final do quintal, que dava direto à entrada de uma floresta, a qual à época havia acabado de ser adquirida por uma empresa de imóveis, que a devastaria para dar lugar a um seguro e luxuoso condomínio, o que eu achava que me traria muita felicidade, ao valorizar substancialmente meu próprio imóvel.
Com uma expressão de medo no pequenino e delicado rosto de maçãs rosadas, Amanda apontou para o alto de uma árvore, e disse:

– É ali, papai, ali. É ali que o monstro mora!

Eu observei, procurando desprovido de qualquer fé por algum sinal do suposto monstro e do urso, e de imediato não vi nada. Acho que ainda estava preocupado demais com o jogo para prestar atenção aos detalhes. Os detalhes… Se algo que possa lhe dizer é: preste atenção a eles, sim, são importantes. Se pudesse voltar no tempo, teria feito tudo diferente.

É, foi estranho, mas contrariando a realidade construída pelos séculos em que a humanidade dominou esse mundo, Amanda estava certa. Havia alguma coisa ali. Tive certeza quando os galhos da árvore começaram a se mexer e sacudiam tanto que várias folhas caíram sob nossas cabeças. E, logo após a chuva de folhas, veio o Tio Bob! Amanda entrou em desespero! O urso de pelúcia caiu e estava todo mordiscado, ensopado por uma saliva malcheirosa tão terrível que por pouco não pus para fora a cerveja e os chips que tinha acabado de devora Era como se o Tio Bob tivesse sido abocanhado por um cão que o confundiu com um belo pedaço de bife, um cão com um terrível mal hálito.

O jogo já não me preocupava. Principalmente quando comecei a ouvir os rosnados de algum bicho no alto da árvore e descobri quem tinha assassinado daquela maneira o Tio Bob. A coisa tinha seis pernas, disso tenho quase certeza. A pele era muito encarquilhada, oleosa, e possuía um verde que o camuflaria por entre as folhagens se o sol não tivesse deixado tudo amarelo. Nunca havia visto algo parecido com aquela coisa, nem em pesadelos, nem nos filmes de terror mais bizarros. O corpo era minúsculo e ágil como o de um macaco. Mas a face… Jamais me esquecerei daquele rosto horrível… Era como a face de uma pessoa, como o rosto de um ser humano, com olhos, nariz e tudo o mais, exceto por uma boca enorme, repleta de presas, que se abria em um sorriso maquiavélico e assustador… pelas orelhas pontudas e por seus olhos, globos rubros como sangue… Sim… Eu olhei bem para aqueles olhos e viajei mil mundos com isso. Dentro de mim, um instinto antigo disse que estávamos correndo um grande perigo. Meu Deus, aqueles olhos… Parecia que de algum modo aqueles olhos vermelhos exigiam o nosso sangue…Éramos seu sacrifício e o meu jardim seu altar hediondo. Sim, ele nos queria…

Amanda gritou! Foi o estopim para que eu corresse até em casa para pegar minha espingarda.

Sem titubear, impulsionado pelo medo e por um instinto de proteção que jamais pensei possuir, agarrei-a nos braços e comecei a correr o máximo que pude por nós dois. A criatura gritou, emitiu um som horrível que parecia um cão sendo atropelado, e depois gargalhou, assustadoramente imitando a voz de minha filha.

Meu Deus, atrás de mim, pude ouvi-lo saltar da árvore e correr em nosso encalço. Era muito rápido… Tão rápido que nem o maior corredor do planeta poderia vencê-lo numa corrida. Vinha até nós como um animal selvagem prestes a alcançar sua presa, me senti num documentário do National Geographic, do lado dos devorados, é claro.

Não olhei para trás, mas eu podia vê-lo se aproximar cada vez mais como se possuísse olhos na nuca. O instinto estranho que aflorara em mim dizia isso. Jamais chegaria a tempo em casa. Ele ia nos alcançar. Foi quando pedi a Deus por proteção, fazendo uma oração que durou apenas alguns milésimos de segundos.

Acho que o Senhor me ouviu…

Subitamente um estrondo ressoou pela vizinhança…

Um tiro… Um único e certeiro tiro…

E ele tinha acertado em cheio a criatura!

Do outro lado do quintal, pude ver meu vizinho, o velho sr. James, com uma expressão assustada no rosto enrugado, todavia conservando aquele eterno ar de xerife aposentado com sua espingarda em mãos.

Bem, como disse, não me lembro de todos os detalhes do que aconteceu naquele dia, a única certeza que tenho é que, até hoje… Eu jamais parei de correr… Jamais, por mais rápidos que eles sejam. Ah, caso queiram saber, o New England Patriots perdeu aquele jogo.


Desventuras em Série é uma famosa série de livros escrita por Lemony Snicket (pseundônimo de Daniel Handler) e ilustrada por Brett Helquist. Os livros, 13 ao todo, narram as aventuras de três crianças, os orfãos Baudelaire – Violet, Sunny e Klaus, que após a morte de seus pais em um terrível e misterioso incendio, ficam sob a guarda do assustador Conde Olaf, que fará de tudo para colocar as mãos em suas heranças.
Desventuras em Série é uma série bem sucedida, vendendo milhares de cópias em diversos idiomas, conhecida por fazer diversas alusões a diversas outras obras da literatura e da cultura pop como um todo.





Um filme foi lançado em 2004, tendo o astro Jim Carrey no papel do maligno Conde Olaf, seu roteiro adaptou o enredo dos três primeiros livros, recebendo o Oscar de Melhor Maquiagem.

A Netflix, o mais famoso canal de streaming do mundo, está desenvolvendo uma adaptação da série e o lançamento mundial foi anunciado para 13 de janeiro. Com 8 episódios, essa nova produção original Netflix dos produtores Barry Sonnenfeld e Daniel Handler, o próprio autor, contará com o ator Neil Patrick Harris, dando vida ao Conde Olaf. Fiquem com o teaser divulgado pela Netflix:

Carbono Alterado é um dos maiores clássicos da literatura cyberpunk e vai ganhar uma série pela Netflix. Esse romance de ficção científica foi lançado em 2002 e escrito pelo britânico Richard K. Morgan. A história se passa aproximadamente 500 anos no futuro, num século onde a tecnologia avançou tanto que, morrer - ao menos, morrer para sempre -, nem sempre é possível. Pois os humanos possuem um implante cortical onde suas consciências são armazenadas, sendo assim, caso o indivíduo seja morto por qualquer motivo que seja, é possível fazer o download desta consciência e adicioná-la num corpo novinho em folha - ou nem tão novo assim, como vão descobrir logo adiante.

Takeshi Kovacs, é o protagonista de Carbono Alterado e um os grandes expoentes da literatura cyberpunk. Kovacs foi um descendente de japoneses do leste europeu, e viveu uma vida criminosa na juventude até se alistar no serviço militar, onde se tornou um "enviado", uma espécie de super soldado do futuro, uma inteligente máquina de matar criada pelo governo com o intuito de esmagar rebeliões em colônias interplanetárias. Anos depois, ao abandonar sua força de elite, Takeshi retornou à vida criminosa e se tornou um mercenário, sendo temido por sua extrema habilidade, até ser capturado e "morto", tendo sua consciência - uma habilidosa consciência, por sinal - "aprisionada". Mais tarde Kovacs é reintegrado à vida no corpo de um ex-policial e contratado por um milionário, um "matusa", um ser humano que atingiu uma espécie de virtual imortalidade através da transmissão constante de consciência entre corpos. Esse poderoso homem chamado Laurens Bancroft, contrata Kovacs para descobrir quem assassinou seu último corpo. As investigações da polícia apontam que Bancroft cometeu suicídio, mas o próprio Bancroft não acredita nisso. A partir de então a epopeia de Kovacs se reinicia nesse novo corpo, nessa nova vida, uma vida assombrada por inúmeros fantasmas do passado. Kovacs enfrentará perigosos inimigos, tendo de aprender a lidar com a atração que sente por Kristin Ortega, a mulher que amava o dono do corpo em que ele fora realocado, ao passo que, se redescobre como um novo indivíduo, numa complexa saga existencialista.

Para tal, os "enviados" como Kovacs, possuem uma série de habilidades. Eles são capazes de acessarem suas memórias de forma precisa, mesmo os detalhes mais minuciosos, são também capazes de discernir padrões de eventos aparentemente não relacionados, possuem conhecimento avançado de linguagem corporal e tonalidade vocal, alto poder de persuasão, além de serem capazes de manipular respostas fisiológicas e psicológicas, tais como medo e raiva, à vontade. Sem contar todo o avançado treinamento militar que foram submetidos.
O livro recebeu o prêmio Philip K. Dick de melhor romance, em 2003, e logo depois foram lançadas as continuações da história, fechando a trilogia Takeshi Kovacs. São elas: Broken Angels (2003) e Woken Furies (2005). A saga de Takeshi não possui uma edição brasileira, mas é possível adquirir a edição lançada em português de Portugal através de grandes livrarias brasileiras, via encomenda. A Editora Bertrand pretende lançar a trilogia aqui no Brasil e, segundo rumores, ainda em 2016.
Joel Kinnaman, o ator sueco que dará vida a Takeshi Kovacs.
A série, pela Netflix, está prevista para ser lançada já em 2017, e tem 10 episódios encomendados. Em 12 de maio deste ano, foi anunciado que o ator em ascensão Joel Kinnaman (Robocop, Esquadrão Suicida) iria estrelar como o protagonista Takeshi Kovacs, além de James Purefoy, como Bancroft e Martha Higared, como Ortega. Miguel Sapochnik (Repo Man, 2010) dirigiria o episódio piloto. 


          Quentin Coldwater é um jovem genial, porém tímido e um tanto deprimido. Desde criança é obcecado por uma série de livros de ficção fantástica, sobre um mundo chamado Fillory. Ao ir a uma entrevista universitária se depara com estranhas coincidências que acabam levando-o para Brakebills, uma faculdade para graduação em magia.



Quentin lendo seu livro predileto – Cena da série adaptada pela Syfy, The Magicians.


Sua vida muda da água para o vinho. Ele depara-se com um mundo de possibilidades, poderes extraordinários e liberdade absoluta. Claro que existem algumas regras no mundo da magia, mas estas se limitam a não revelar sua condição ao mundo e causar danos a outros magos. O resto tá valendo.

Em meio ao típico clima universitário, sexo, drogas e rock’n roll, e mesmo com o poder de dobrar a realidade ao seu bel prazer, Quentin percebe que não está feliz. Que sua vida é um vazio e que não deixou as dúvidas existenciais para trás. Elas não serão respondidas ou se tornarão mais simples pelo fato de pertencer a um seleto grupo de seres humanos. Pelo contrário, elas se tornaram mais profundas e angustiantes. Isto certamente torna as coisas bem mais interessantes na narrativa.




Quentin e sua namorada, Alice... Não precisa de legenda.

       Após a formatura, os amigos que antes se dedicavam a desvendar os mistérios da magia, se veem tendo vidas medíocres e embriagadas pelos prazeres dionisíacos. Porém, ao descobrir que o mundo de Fillory existe e que tem a possibilidade de visitá-lo, isto dá um novo gás aos Caras da Física e eles mergulham de cabeça nessa aventura. Mas nem tudo é o que parece...
         
       Recomendo a leitura dessa incrível aventura, escrita por Lev Grossman. Com referências que vão de Harry Potter a Senhor dos Anéis, passando por Crônicas de Nárnia, Timothy Hunter e até Dugeons & Dragons. Porém sem deixar a desejar na construção de seu próprio universo. Amor e ódio, bem e mal, vida e morte, aqui nada é tão simples e o poder tem um preço. Ele é sempre alto demais.

Lançado em 2010, pelo selo Amarilys, disponível em nosso idioma, podendo ser encontrado tanto nas grandes quantos nas pequenas livrarias. O preço não está salgado, aproveite!


Possui adaptação televisiva, pela Syfy, com o nome The Magicians. E nas palavras de George Martin, autor das Crônicas de Gelo e Fogo, “Os Magos está para Harry Potter como uma dose de uísque puro malte está para uma xícara de chá”.